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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Tal Filosofia



É comum atribuir à filosofia diversas funções: uma delas é sistematizar de modo coerente e compreensível algo relacionado à realidade, mas é bom salientar que a realidade nem sempre é compreendida de modo sistemático, por isso a filosofia, a meu ver, se ocupa também de abordar de modo minucioso tal realidade, o que exige do filósofo muita dedicação ao pensamento crítico.

Já sobre esse ponto, o pensamento crítico, que é uma espécie de instrumento usado pelo filósofo para defender o ponto de vista assumido por ele e refutar com argumentação as explicações opostas da realidade, ou que ao menos não tem aplicação na realidade.

É bom lembrar, que o ponto de vista crítico não é único e nem é o senhor da verdade ligada à realidade, mas então, o que faz tal pensamento? Não seria, por acaso, observar e analisar os fatos dessa realidade? Para isso, creio que esse pensamento é útil à filosofia, mas obtê-lo de forma imparcial e autônoma já é uma etapa mais além, que exige do filósofo o mínimo de autenticidade em sua postura de pensar. Isso então passa a ser um modo de fazer filosofia ou de filosofar diante da realidade que nos cerca.

A esse modo de filosofar, então, podemos agregar outras práticas que também servem de instrumentos, um desses instrumentos úteis é a abstração, pois sem tal é impossível para o filósofo atingir o grau de contemplação e concentração do pensamento, pois essa abstração a que me refiro é o afastamento que o filósofo tem do cotidiano para poder aprofundar-se na contemplação cogitante.

Toda essa cogitação também se torna num instrumento indispensável para o filósofo que se preze, pois ao que se refere ao ensino da filosofia, toda instrumentação possível se faz necessária para se teorizar e criar métodos de ensino da filosofia, mesmo que isso para alguns seja tarefa impossível, mas ainda assim, ensiná-la é uma tarefa similar ao próprio ato de filosofar.



Copyright(C) 2007 por Fabiano Lima Simor.
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Ensinar Filosofia?



Este texto tem por objetivo comentar o conteúdo do livro Uma Introdução ao Ensino da Filosofia de Guillermo Obiols, e assim, percorrer alguns temas tratados pelo autor que têm um enfoque central em sua obra, para que surja uma reflexão sobre o ensino da filosofia. No entanto, o que enfocaremos neste não será o desenvolvimento da filosofia na história da humanidade, nem tampouco ficaremos recorrendo ao modelo tradicional da filosofia para colher respostas, mas ao contrário, iremos abordar o que percebemos de central na obra citada.

Obiols começa seu discurso sobre o ensino de filosofia recorrendo à história da filosofia a partir da Idade Média, perído em que surgiram às primeiras universidades, deste modo ele trata das formas que a filosofia foi ensinada e até em que cursos ela aparecia com o fim de ser estudada academicamente. Assim, ele prossegue pelos antecedentes europeus até chegar à filosofia na América Latina.

Após este percurso histórico da filosofia, ele enfim, chega ao debate sobre o ensino de filosofia no ensino médio, que toma como referência os antecedentes históricos, tanto do desenvolvimento da escola quanto do ensino de filosofia propriamente dito. Seu debate é sempre acompanhado de citações de outros autores e do referencial histórico do ensino, mas com o objetivo de contextualizar o discurso a cerca da filosofia como disciplina e como pesquisa cientifica, que tem como meta indagar as questões tidas como fundamentais para o pensamento crítico.

A partir do momento em que Obiols trata da dicotomia entre aprender filosofia e filosofar, o debate torna-se entusiasmante, pois aqui ele refaz o tema tratado por Kant, Hegel e outros filósofos que se debruçaram sobre este problema dual. é sobre este ponto que temos algo a explanar, pois o ato filosófico quase que sempre se esbarra neste problema dual, em que alguém posa de fato fazer filosofia e ao mesmo tempo ensinar filosofia.

A este problema Obiols dá uma reconstrução a partir do momento em que relê os textos dos filósofos esclarecendo o que realmente fora dito por eles, e em que sentido Kant, Hegel e os outro entendiam o fazer filosofia e o seu ensino. Neste instante da leitura do livro, veio até mim uma lembrança a cerca do tema, quando na ocasião me encontrava no 3º período de filosofia e de maneira ingênua debatia em sala a questão sobre aprender a filosofia, defendendo a posição de que se pode aprender filosofia. Então uma colega do 5º período que fazia a matéria junto comigo riu ironicamente e disse: “não se aprende filosofia, mas apenas a filosofar”; em contra partida eu disse: “se não se aprende a filosofia, então o que estamos fazendo aqui?” E novamente a colega riu ironizando fazendo menção ao pensamento kantiano.

Apesar de pertinente esta ocasião, além disso, ela ilustra muito bem a predomínio desse problema e também o de uma corrente dentro da própria filosofia, que interpreta e defende que o ato filosófico de filosofar está separado do ato de ensinar ou aprender filosofia, mas Obiols não pensa assim, pois ele vê o fazer filosofia e o ensinar filosofia a partir de Sócrates, que além de filósofo, também ensinava filosofia e vise versa.

É sobre este ponto que Obiols passa a pensar uma metodologia e uma pedagogia que atenda aos problemas filosóficos, pois a conclusão de sua obra está centrada nos meios de ensino da filosofia a partir da possibilidade do professor poder filosofar com os alunos e ao mesmo instante ensinar a filosofia, é claro, propondo que o ensino de filosofia deve servir à formação de mentes críticas, indagadoras que investigam as questões propostas.

Também é óbvio que o problema do ensino de filosofia não se resolva tão simploriamente, até porque o desafio está no fato de ser filósofo e também ensinar a filosofia, pois o que sempre nos ocorre é a dificuldade de juntar teoria com prática, e quando se trata de filosofia isso toma uma roupagem cada vez mais problemática.

Aí o porquê de se pensar o ensino de filosofia a partir da própria filosofia, que tanto produz pensamentos quanto se questiona o que se é pensado. Assim, é imprescindível rever os métodos didáticos, o contexto do ensino, os objetivos pretendidos e os conteúdos necessários para o ensino, pois tomar como desafio o fato de ensinar a filosofia a partir da própria história da filosofia é tão legitimo quanto propor ensinar a filosofia através de conteúdos críticos que instigam o pensamento investigativo, sem que com isso seja necessário recorrer às respostas propostas pelos próprios filósofos que porventura tenham pensado algumas dessas questões.



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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Dialética: O Método Socrático



Se há um filósofo que ficou conhecido por seu método de raciocínio aliado ao estilo de vida, esse sem dúvida foi Sócrates. Pelo que narra a história, Sócrates estava a caminho do oráculo de Delfos acompanhando seu amigo, e lá ele teve a oportunidade de estar diante da mensagem escrita na entrada do oráculo que dizia: “Conhece-te a ti mesmo”. Tal frase foi impactante para Sócrates que fez com que ele refletisse sobre sua condição humana.

A partir daí Sócrates ficou conhecido como o homem mais sábio da Grécia, fato ocorrido devido ao pronunciamento que o oráculo fez ao declarar que Sócrates era o mais sábio. Desde então, tanto os políticos, poetas quanto os sofistas defrontaram-se com o método socrático pelo caminho. O método socrático por si só é uma sequência de perguntas e respostas, no qual tem duas etapas:
1ª) Ironia, que corresponde ao momento em que o interlocutor é interrogado e conduzido a refletir sobre suas respostas;
2ª) Maiêutica, que corresponde ao momento em que o interlocutor recolhe seu conhecimento de sua própria alma. Para Sócrates, essa etapa é o ápice de seu método, isso porque para ele a alma é imortal, logo, eterna, por isso já traz consigo algum conhecimento impresso na sua natureza, a que chamamos de ideias inatas.

O método socrático tem sido núcleo de discussões entre estudiosos do pensamento socrático, mas isso se deve, não necessariamente só a isso, ao fato de que a imagem socrática contém resquícios do pensamento platônico, discípulo de Sócrates que registrou em seus diálogos discussões filosóficas em que seu mestre era o personagem principal dos diálogos.

De fato, é inegável que Platão tenha retratado a figura de Sócrates a partir de sua própria ótica, mas isso não significa que Sócrates não tenha desenvolvido um estilo próprio de raciocinar e viver a filosofia. Por isso, é cabível atribuir a Sócrates o método da dialética, pois sua dialética e o ponto inicial para a constituição do debate ético, tema máster dos questionamentos socráticos, pois é muito corriqueiro encontrarmos nos diálogos platônicos Sócrates questionando o que é virtude, justiça, conhecimento e moral.

Para nós, é imprescindível frisar que Sócrates, apesar de ser retratado pelos diálogos platônicos, constituiu um método pertinente para a virada filosófica, da qual ele foi o protagonista. Apesar de por muitas vezes os diálogos platônicos se findarem em aporias, isso não retira o mérito do filósofo que levanta questionamentos tão profundos que para se encontrar respostas é necessário recorrer à reflexão de nossas verdades.



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A História das Coisas

Segue abaixo um vídeo ilustrativo sobre a extração, produção, distribuição, consumo e descarte dos objetos produzidos na indústria. Ve...